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... mas há vezes que somos menos quando escondemos o que em parte queremos implementar.

A 20 de Outubro de 2017 o Bloco de Esquerda no seu Projecto de Lei N.º 650/XIII/3.ª pretendia reconhecer e definir a figura de especialista para efeitos de integração em corpo docente e leccionação em ciclos de estudo conducentes a grau de licenciatura em terapêuticas não convencionais.

Para além da vontade explicitada na instrumentalização do ensino superior público politécnico permitindo aceder à carreira de docente no ensino superior público sem grau académico de doutoramento ou válido título de especialista é claramente um atropelo e ataque à mais básica justiça laboral e equidade profissional feita aos trabalhadores deste sub-sistema de ensino público. Este PL permitirá, e.g. a quem não tem formação académica necessária lecionar disciplinas com base cientifica.

Não houve desde o chumbo da proposta na AR qualquer esclarecimento pelo BE. Revelador agora que se discutem as novas leis de base do Serviço Nacional de Saúde.

Mas quais são afinal essas terapêuticas não convencionais? Segundo o PL N.º 650/XIII/3.ª incluem acupuntura, fitoterapia, homeopatia, medicina tradicional chinesa, naturopatia, osteopatia e quiropráxia. Um conjunto de práticas pseudo-cientificas e pré-cientificas não suportadas por evidência científica moderna e baseadas em superstições, mezinhas antigas, algumas delas perigosas para o bem estar das populações.

Mas sabendo que os produtos homeopáticos não são mais do que água e açúcar porque é que teima o BE em formalizar estas propostas?

Criado/Created: 27-06-2018 [11:18]

Última actualização/Last updated: 24-06-2020 [09:15]


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(c) Tiago Charters de Azevedo