Sempre que uma simetria se quebra

Emmy Noether era uma mulher. Nascida a 1882 na Baviera. Gostava da matemática que o seu pai e irmão estudavam na Universidade Erlangen. Na altura as mulheres não podiam frequentar a universidade e por isso frequentava as aulas por fora. Um dia a universidade acabou por aceitar mulheres nas suas formações e lá conseguiu fazer um doutoramento.

O resultado da física e matemática pelo qual é mais conhecida tem o seu nome e diz o seguinte: se um sistema tem uma simetria contínua então existe uma correspondente grandeza cujos valores se mantêm constantes ao longo tempo i.e. são conservados.

O exemplo mais simples é o de um pêndulo que oscila sem nunca perder amplitude nessa oscilação. A quantidade que se conserva é a energia. Este resultado matemático quando aplicado à física tem consequências nos modelos que usamos para descrever o universo, das órbitas dos planetas ao bosão de Higgs.

As contas do Eurostat para 2018 mostram que a diferença salarial média por hora entre homens e mulheres é de 16.2%. A média na UE é de 14.8%. Estamos pior. Mas estamos todos mal.

Se um homem e uma mulher estão ligados pelo sinal de igualdade, isto significa que se podem substituir um pelo outro.

Mas essa igualdade não é dada pelo sinal de igual porque essa igualdade é mostrada em si mesma pela simetria do que é igualado.

Todos os dias vemos essa assimetria entre homens e mulheres concretizada.

Como nos ensinou Emmy Noether sempre que uma simetria se quebra isso significa que algo se perdeu.

Criado/Created: 08-03-2020 [09:56]

Última actualização/Last updated: 24-06-2020 [09:15]


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(c) Tiago Charters de Azevedo