Não há muitos anos

... a maioria das palavras que nos chegavam eram-nos dirigidas especificamente i.e. dirigidas para cada um individualmente. Ocasionalmente chegavam quando fazíamos parte de uma multidão, numa sala de aula, no trabalho ou em família, etc. Eram nessa altura mensagens escritas as que nos chegavam usualmente em cartas fechadas.

Hoje a maioria das mensagens escritas que recebemos não são especificamente escritas para nós em particular. São engendradas com imagens e ideias, sentimentos e opiniões empacotadas e entregues regularmente através do meios de comunicação social e redes sociais violando a nossa sensibilidade a todas as horas.

Saturando-a.

Há dois pontos que se tornam evidentes: 1) o que assistimos no uso da nossa linguagem corresponde a um padrão de uma relação necessidade-satisfação; 2) que este uso industrial manipulativo da linguagem substitui as nossas relações convivais e implacavelmente apaga todas as diferenças naquilo que na diferença nos torna interessantes.

Criado/Created: 28-07-2018 [00:45]

Última actualização/Last updated: 24-06-2020 [09:15]


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(c) Tiago Charters de Azevedo