Há muito tempo que

... não lia um argumento tão simples, fundamental e de aplicabilidade tão geral como este. O texto foi publicado em 1993 na revista Nature com o título "Implications of the Copernican principle for our future prospects" e tem o nome de "delta t argument", o autor Gott, J. R., III é um físico de Princeton.

O argumento delta t funciona mais ou menos assim.

Admitindo que um acontecimento pode ser observado entre um instante inicial Tbegin e um instante final Tend e se não existir nenhuma razão para admitirmos que o instante em que o observamos agora Tnow é especial então esse instante pode ser considerado como uma variável aleatória com distribuição uniforme entre os instantes Tbegin e Tend.

Assim podemos assumir que a quantidade r definida por (Tnow-Tbegin)/(Tend-Tbegin) é também uma variável aleatória com distribuição uniforme mas agora entre zero e um.

Existe assim uma probabilidade de 0.95 tal que 0.025<r<0.975. Um argumento simples mostra (é assim tão simples?) que equivalentemente se tem Tpast/39<Tfuture<39*Tpast.

Esta última desigualdade mostra que o período histórico de observação de uma coisa nos dá uma estimativa da sua durabilidade e resistência às adversidades passadas mas também nas adversidades futuras.

Tudo o que é preciso para a desigualdade funcionar é que a "nossa especial posição" temporal não seja afinal nada de especial.

O que mostra bem a ideia do principio de Copérnico de que não ocupamos, se não tivermos uma razão suficiente para isso, um lugar privilegiado no universo.

Exemplo de aplicação: o jornal Público existe à 28 anos, já sobreviveu 0.72 anos e, corra tudo bem, cá estará mais 1092 anos, isto com uma probabilidade de 0.95.

Criado/Created: 18-05-2018 [19:45]

Última actualização/Last updated: 24-06-2020 [09:15]


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(c) Tiago Charters de Azevedo